Quando está frio, chovendo e ninguém quer sair do sofá
- Sessão da Tarde à noite. Cada um escolhe um filme que passava na TV quando era criança, e vocês sorteiam qual veem primeiro, no escuro, com o cobertor puxado pelos dois. Quem souber mais falas de cor escolhe o próximo.
- Playlist dos quinze anos. Cada pessoa monta dez músicas de quando tinha quinze anos e toca para a outra, sem explicar antes. Só no fim vale contar a história de cada faixa.
- Truco ou buraco valendo alguma coisa. Peguem o baralho e joguem valendo um prêmio pequeno: massagem nos pés, escolher o lado da cama, decidir o próximo encontro.
- A chuva é o convite. Quando a chuva bate forte na janela ou no telhado, esse é o programa inteiro. Apaguem a luz da sala, deixem uma fresta aberta e fiquem escutando em silêncio.
- O ano pelas fotos do celular. Passem as fotos de janeiro a agora, uma de cada vez, e cada um conta o que não aparece no enquadramento. Escolham juntos a foto do ano.
- Karaokê de sala. Abram no celular ou na TV o videoclipe com letra, desliguem a luz forte e cantem o que vier, de sertanejo a pagode. A regra é não parar no meio da música.
Se a vontade for de uma noite mais longa com jantar, a coleção de noites em casa tem ideias para isso. Nada desta lista exige cozinhar.
Anna: No truco o Sam grita “seis!” com qualquer mão, até com a pior carta do baralho. Perdeu três rodadas seguidas e teve que assistir ao filme que eu escolhi. Até hoje jura que era estratégia.
Quando o frio é seco e o Sul dá o clima
- Pinhão quentinho na rua. Comprem um saquinho de pinhão cozido na barraca da esquina e descasquem ali mesmo, com os dentes, segurando o saquinho quente para esquentar as mãos.
- Geada de manhã cedo. Acordem antes do sol num dia de geada, vão até uma praça ou um gramado e ouçam a grama estalar sob o tênis. Olhem a fumacinha que sai da boca de vocês.
- Chimarrão no banco da praça. Levem a cuia e a térmica e passem a cuia de mão em mão no ritmo de quem tem o dia livre. É um encontro curto, uns vinte minutos, e rende exatamente o tanto que a conversa render.
- Quermesse em julho. Vão a uma festa julina e joguem pescaria e argola sem a menor dignidade. Mandem um correio elegante sem assinar e vejam quanto tempo leva para a outra pessoa descobrir quem foi.
- Trilha curta na neblina. Escolham um morro ou um parque da serra, saiam cedo e caminhem quando o vale está coberto. Parem num ponto em que só dá para ver a próxima árvore e fiquem ali um minuto.
- A praia vazia em julho. Se vocês moram perto do litoral, vão de casaco e meia grossa até a areia quando ninguém está lá. Andem na beira da água e escolham o quiosque fechado em que vocês morariam se fosse casa.
Sam: Na quermesse da paróquia mandei um correio elegante para a Anna sem assinar. Ela passou meia hora perguntando na barraca quem tinha sido, e a menina do correio me entregou na primeira insistência.
Quando vocês querem luz, barulho e gente ao redor
- Feirinha à noite sem lista. Andem pela feira inteira sem comprar nada, depois voltem e cada um escolhe uma lembrança pequena para a outra pessoa, com um teto de vinte reais. Entreguem ali mesmo, sem embrulho.
- Sambinha ou choro numa quinta-feira. Procurem um barzinho com música ao vivo e sentem numa mesa perto do palco, sem reservar. A música toca, e ninguém precisa falar nada por duas horas.
- Fondue pelo ritual. Reservem uma mesa num restaurante de fondue, na serra ou na cidade, e deixem a conversa levar o tempo que quiser. O que importa é o ritmo lento e o garfo compartilhado.
- Sessão das nove num cinema pequeno. Procurem o cinema de rua ou a sala com poucos lugares e comprem ingresso para o que estiver passando, sem ler crítica. Sentem lado a lado e dividam o braço da poltrona.
- Um sebo aberto até tarde. Entrem depois do jantar, separem-se por vinte minutos e cada um traz um livro usado que o outro jamais pegaria sozinho. Leiam a dedicatória, se tiver.
Anna: No sebo o Sam me trouxe um guia de viagem de 1978 com uma dedicatória de uma tia para a afilhada. Lemos a dedicatória em voz alta no ônibus de volta e ficamos querendo saber se a viagem aconteceu.
Quando o orçamento é zero
- O pedaço de sol da tarde. Às três, quando o sol de inverno finalmente aparece, sentem na calçada ou num murinho, de costas para a parede e de olhos fechados, até o sol ir embora. Sem celular.
- Feira livre de manhã. Deem uma volta pelas barracas sem comprar nada, escolhendo a fruta mais feia e a mais bonita da estação, a mexerica ou o caqui. Provem o que o feirante oferecer.
- As janelas acesas. Andem por uma rua do bairro quando escurece, a partir das cinco, e imaginem quem mora atrás de cada janela, como se chama e o que faz no sábado.
- Museu no dia de entrada gratuita. Descubram qual dia da semana o museu da cidade não cobra, vão no fim da tarde e cada um leva o outro até a sala que escolheu. Fiquem lá até quem escolheu a sala contar o que viu nela.
- Um concerto de meio-dia. Muitos centros culturais e igrejas têm apresentação gratuita de orquestra jovem, grupo vocal ou violão. Sentem no fundo e deixem a acústica fazer o resto.
- O desafio dos dez reais. Combinem de gastar só dez reais no total em uma volta pelo centro e fazer esse valor render o máximo possível. Comparem no fim quem gastou melhor.
Quer mais ideias que não pesam no bolso? O baralho de encontros baratos tem de sobra, e a página de artigos reúne os outros guias por ocasião.
Quando dá pra dormir fora uma noite
- Chalé com lareira na serra. Reservem um chalé em Gramado, Monte Verde ou na Serra Catarinense, cheguem ainda de dia e passem a primeira hora só cuidando do fogo. Confiram a estrada antes, porque a neblina engole a curva.
- Águas termais no frio. Caldas Novas, Poços de Caldas ou Águas de Lindóia: entrem numa piscina de água quente enquanto o ar está gelado e o vapor sobe dos ombros. Deixem o celular no armário e fiquem de gorro.
- O trem da neblina. Peguem o trem de Curitiba a Morretes, que desce a Serra do Mar entre nuvens baixas, e sentem do lado da janela, de manta nas pernas. Façam o passeio quase todo em silêncio, só olhando.
- Campos do Jordão num dia de semana. Vão na terça, quando a cidade está vazia, e caminhem pela vila sem horário e sem fila. Entrem em qualquer lugar que estiver de luz acesa.
- Camping no frio de verdade. Levem barraca boa, dois sacos de dormir de inverno e acendam uma fogueira onde for permitido. A noite é mais longa que o dia e dá tempo de conversar de tudo.
Se a ideia é ir além do inverno e pensar num passeio mais longo, o baralho de viagem de fim de semana tem mais destinos para ir de carro.
Sam: No trem para Morretes a neblina não abriu nem por um minuto. A Anna desenhou a serra no vidro embaçado com o dedo, curva por curva, e disse que a vista era aquela. Foi mesmo.
Quando uma das pessoas odeia frio
- A estufa do jardim botânico. Caminhem pelo jardim botânico onde o ar é úmido, quente e tudo é verde. Escolham a planta mais estranha e deem um nome a ela.
- Café colonial de tarde. Sentem numa casa de café colonial, com a mesa farta e a chaleira fumegando, e ninguém precisa cozinhar nada. Fiquem até a luz da janela mudar de cor.
- Boliche ou fliperama. Procurem um lugar coberto, aquecido e barulhento, com pista de boliche ou máquinas antigas. Combinem de jogar até alguém perder três rodadas seguidas.
- Piscina aquecida. Marquem uma hora numa piscina de clube ou de academia com água morna, quando está quase vazia. Nadar devagar lado a lado vale mais que correr contra o relógio.
- Aula de forró ou samba de gafieira. Façam uma aula experimental de dança de salão, onde o salão é abafado e o corpo esquenta em dez minutos. A graça é pisar no pé um do outro e rir.
Anna: No boliche o Sam jogou a primeira bola na canaleta e anunciou que estava só aquecendo. Fez um strike na última rodada e cobrou o milk-shake que a gente tinha apostado lá no começo.