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36 ideias de encontro virtual para quando o fuso horário atrapalha

As melhores ideias de encontro virtual têm começo, tarefa e fim: não é só mais uma chamada de vídeo no WhatsApp. Abaixo, elas estão separadas por situação: uma hora de chamada, comida em duas cidades, passeio lado a lado, fuso entre Brasil e Portugal, caixa pelo correio e jogos de papel e tela. Várias funcionam mesmo quando um já dormiu.

Equipe Twosies ·

Dois notebooks lado a lado, cada tela mostrando uma mão segurando uma caneca de chá, com um fio fino de luz laranja ligando os dois.

Quando vocês têm uma hora de chamada e falta motivo para ficar nela

  • Retrato às cegas. Cada um pega uma folha de caderno e uma caneta e apoia o celular de um jeito que o rosto do outro ocupe a tela toda. Cinco minutos desenhando sem olhar para o papel e sem levantar a caneta. Mostrem os dois desenhos para a câmera ao mesmo tempo. O pior vai para a porta da geladeira.
  • A planta do apê que ainda não existe. Escolham a cidade onde morariam juntos, abram um site de aluguel e separem três apartamentos de verdade, com preço de condomínio e tudo. Depois cada um desenha no papel como arrumaria o favorito: onde fica o sofá, a rede, a mesa. Comparem as duas plantas na câmera.
  • Pacotinhos de figurinha ao vivo. Em ano de Copa, cada um compra cinco pacotinhos na banca e guarda para a chamada. Abram juntos, um pacote por vez, colando no álbum na frente da câmera. As repetidas que servem para o outro vão para um envelope, e o envelope vai para o correio no dia seguinte.
  • A coreografia de axé. Escolham uma coreografia de axé dos anos noventa, daquelas que todo mundo dançava na festa da escola, abram o vídeo e afastem a mesa da sala. Aprendam ao mesmo tempo, cada um na sua casa, de pedaço em pedaço. No fim, coloquem a música do começo e dancem a coreografia inteira, cada um com o celular no chão filmando de corpo inteiro.
  • Dez minutos de aula de cada lado. Cada um ensina ao outro uma coisa que sabe fazer, com o que tiver em casa: dar nó de gravata, fazer um tsuru de papel, um truque de baralho, cinco sinais de Libras. Dez minutos de aula, cronômetro ligado, e no fim o aluno mostra para a câmera o que aprendeu. Depois troquem de professor.
  • O roteiro do reencontro, com preço de verdade. Abram as passagens em duas abas e montem a próxima visita como se fosse amanhã: o voo mais barato entre as duas cidades, a hospedagem, os três lugares que um quer mostrar para o outro. Não precisa comprar nada. Salvem tudo numa nota compartilhada com a data escrita no título.

Se vocês ainda estão se conhecendo e querem que o próximo passo seja ao vivo, veja as ideias para o segundo encontro.

Anna: A internet aqui em casa caiu três vezes no meio da coreografia. O Sam continuou dançando sozinho em Lisboa, filmando tudo, e só percebeu que eu tinha sumido quando a música acabou. Eu vi tudo depois, pela gravação dele, e ri até chorar.

Quando a vontade é comer junto, cada um na sua cidade

  • Duelo de pizza de sábado. Cada um pede na pizzaria preferida da sua cidade o mesmo sabor, calabresa ou portuguesa, e espera a entrega para abrir a caixa na chamada. Deem nota para massa, borda e quantidade de queijo. A cidade que perder paga a pizza da próxima visita.
  • Café da manhã de um, jantar do outro. Quando um está no Brasil e o outro no Japão ou em Portugal, o fuso vira cardápio: pão na chapa e café com leite de um lado, arroz, feijão e bife do outro, a tela no meio da mesa. Combinem os pratos na véspera para os dois comerem uma refeição de verdade, não um biscoito em pé na pia.
  • Churrasco de domingo por vídeo. Quem está no churrasco da família apoia o celular perto da churrasqueira e leva o outro junto: apresenta o tio, mostra o ponto da picanha. Do outro lado, uma versão pequena: linguiça na frigideira, farofa pronta, vinagrete. Comam juntos o primeiro pedaço.
  • Festa junina a dois. Em junho, cada um compra pamonha, canjica, paçoca e pé de moleque na sua cidade, veste uma camisa xadrez e coloca a mesma playlist de forró. Na chamada, cada um mostra o melhor doce que achou e comem ao mesmo tempo. Quem quiser, faz o bigode de lápis de olho.
  • O doce da sua terra pelo correio. Mande uma caixa com o que só a sua cidade faz direito: doce de leite de Minas, bolo de rolo de Recife, cocada, rapadura. Escreva “abrir na chamada” na fita. A caixa fica dias esperando, e quem mandou assiste à primeira mordida.

Sam: Em Lisboa eram dez da noite, em Recife, seis da tarde. Eu jantei bacalhau requentado, a Anna tomou café com tapioca, e brindamos caneca com taça através de duas telas. Valeu como jantar.

Quando cansou de ficar olhando para a tela: encontros lado a lado

  • Caminhada com o fone no ouvido. Câmera desligada, fone colocado, e cada um caminha na sua orla, no seu parque ou na sua rua ao mesmo tempo. Vão narrando: o quiosque que fechou, o vira-lata de sempre, a padaria onde vocês iriam juntos. Andem até os dois chegarem de volta ao portão.
  • Dois pores do sol na mesma hora. Se um está em Recife e o outro em Porto Alegre, o sol se põe em horas diferentes. Cada um vai para um lugar alto na hora do seu e liga a câmera de trás. Primeiro um pôr do sol, depois o outro: dois fins de tarde num só encontro.
  • Feira de domingo pela câmera de trás. Quem está na feira liga a câmera e passeia pelas barracas, e quem está em casa escolhe a fruta: a manga mais bonita, o abacaxi do jeito certo. Depois os dois comem o que foi escolhido, cada um com a sua fruta, e no fim o pastel da feira encerra a chamada.
  • Sessão de foco a dois. Para quem estuda para concurso ou tem trabalho acumulado: câmeras ligadas, microfones no mudo, quatro blocos de vinte e cinco minutos com cinco de pausa. Nas pausas vocês conversam; nos blocos, cada um faz o seu. No fim, cada um mostra o que terminou.
  • A gaveta da bagunça com júri. Cada um ataca a gaveta mais bagunçada da casa, aquela das pilhas, dos cabos e das chaves sem porta, com a câmera apontada para ela. Item por item, o outro dá o veredito: fica, vai para o lixo ou vai para a doação. Ninguém pode recorrer. Em meia hora, duas gavetas arrumadas e uma pilha de histórias sobre cada objeto.

Para uma chamada em que a conversa seja o programa, as brincadeiras para casal dão assunto de sobra.

Anna: Fui pela orla de Boa Viagem e o Sam pela beira do Tejo, cada um com o fone no ouvido. Ele contou de um senhor pescando no mesmo lugar todo dia. Nunca vi esse senhor e já sei até a cor do boné dele.

Quando um está dormindo e o outro está acordado

  • Vídeo-carta para o amanhecer. Antes de dormir, grave cinco minutos: o quarto, como foi o dia, o que vem amanhã. Mande de um jeito que esteja esperando quando o outro acordar, e receba de volta uma do amanhecer dele. Guardem todas numa pasta compartilhada, com a data no nome.
  • Os sons do seu bairro. Grave dois minutos de áudio no caminho para o trabalho: o carro da pamonha, o caminhão do gás tocando a música, o grito do vendedor de biscoito no ônibus. Diga onde você está. O outro escuta no fim do dia e responde com os sons da noite dele.
  • Despertador com a sua voz. Cada um grava um áudio curto de bom dia, com o nome do outro e um plano para o dia dele, e manda para ser colocado como toque de despertador. A semana inteira, o primeiro som da manhã é a voz de quem está longe.
  • A mesma lua, horas depois. Quando a lua aparecer do seu lado, fotografe e mande. Horas depois, ela aparece do outro lado e o outro fotografa a mesma lua de outra janela. Juntem as duas fotos lado a lado num álbum que cresce a cada lua cheia.
  • Plantão da madrugada. Quando um vai virar a noite de qualquer jeito, no trabalho ou estudando, fica na chamada enquanto o outro pega no sono. Combinem antes: luz baixa, quem está acordado fica quieto, e a chamada cai num horário marcado. É como dividir o quarto com o abajur aceso.

Para os dias em que vocês não conseguem se achar online, há perguntas para mandar por mensagem que seguram o assunto entre uma chamada e outra.

Quando é para assistir ou ouvir no mesmo segundo

  • O jogo do time em duas TVs. Dia de Brasileirão ou de seleção: cada um na sua sala, a mesma transmissão, a chamada aberta no celular apoiado no sofá. Narrem como se fossem da rádio, com grito de gol e tudo. Se os times forem rivais, quem perder veste a camisa do outro na próxima chamada.
  • A novela das nove a dois. O mesmo capítulo, cada um no seu sofá, a chamada aberta só nos intervalos. Antes de começar, cada um escreve num papel quem acha que vai descobrir o segredo da semana. No último capítulo, abram os papéis e vejam quem acertou mais.
  • As dez músicas de vocês. Cada um escolhe cinco músicas que são do casal: a do carro, a da festa em que se conheceram, a que os dois odiavam. Toquem uma de cada vez na chamada e contem onde estavam quando ouviram pela primeira vez. No fim, salvem a playlist das dez.
  • O show ao vivo de longe. Quando um festival grande transmitir ao vivo, escolham juntos o show da noite, coloquem nos dois celulares ou TVs e assistam do começo ao fim, com a chamada aberta. Vale cantar alto e mandar vídeo do refrão.

Quando alguma coisa precisa chegar pelo correio

  • Caixa com envelopes numerados. Encha uma caixa de sapato com cinco envelopes numerados de 1 a 5: uma foto, um sachê de chá, um ingresso velho, um bilhete, uma coisa pequena que não precisa de explicação. Despache com uma semana de antecedência e escreva na tampa “só na sexta, às 20h”. Na chamada, o outro abre um envelope por vez.
  • Fitinha do Bonfim pela carta. Se você é de Salvador ou passou por lá, mande uma fitinha do Bonfim dentro de uma carta. Na chamada, o outro amarra no pulso com três nós enquanto você assiste, um pedido por nó. A fitinha fica até cair sozinha, e vocês contam os meses.
  • A camisa do seu time. Mande uma camisa do seu time, usada, dobrada num saco. Na próxima rodada, o outro veste para assistir ao jogo na chamada, mesmo torcendo para outro time. Se for clássico, a camisa vale como aposta.
  • Carta com o seu cheiro. Ponha uma gota do seu perfume, ou um pouco do creme de mão que você sempre usa, num cartão, e feche num saquinho dentro do envelope. Escreva só “me liga quando abrir”. Uma terça-feira qualquer vira motivo de ligação.
  • Flores no dia da prova. No dia do Enem, da OAB, do concurso ou de uma entrevista de emprego, peça flores de verdade numa floricultura da cidade do outro para a hora em que ele chegar em casa. Dite o cartão por telefone. Ligue logo depois da entrega.

Sam: A fitinha que a Anna trouxe de Salvador levou dezenove dias de Recife até Lisboa. Amarrei na chamada, errei o nó duas vezes e ela me fez começar os pedidos de novo. Já são sete meses e ela continua no meu pulso.

Quando a vontade é jogar, com papel, tabuleiro ou cronômetro, sem cartinha de pergunta

Se o que vocês querem são cartinhas de pergunta para a chamada, o baralho para namoro a distância tem 25 delas. Tudo abaixo tem papel, tabuleiro, cronômetro ou um resultado que dá para mostrar na câmera.

  • Stop numa folha de papel. Cada um risca as colunas na folha: nome, cidade, fruta, cor, objeto, novela. Um recita o alfabeto baixinho, o outro diz “para” e sai a letra da rodada. Quem preencher a linha primeiro grita “stop” na chamada e os dois largam a caneta. Somem os pontos em voz alta, rodada por rodada, e joguem até dez.
  • Batalha naval no papel. Cada um desenha dois tabuleiros de dez por dez numa folha quadriculada, de A a J e de 1 a 10, e esconde a sua frota sem mostrar para a câmera. Revezem os tiros em voz alta: “B5”, “água”, “C7”, “acertou”. Quem afundar a frota inteira primeiro ganha a rodada. Melhor de três, e quem perder canta a música que o outro escolher.
  • Mímica pela câmera. Cada um escreve dez nomes de filmes ou novelas em papeizinhos e dobra. Um sorteia, se afasta do celular até aparecer de corpo inteiro e faz a mímica com um cronômetro de um minuto. Contem os acertos; quem acertar mais escolhe o próximo encontro.
  • Desenho por descrição. Um acha uma imagem, como um prédio esquisito ou um quadro antigo, e descreve em voz alta por três minutos sem dizer o que é. O outro desenha no papel só pelas palavras. Revelem os dois lado a lado e troquem de papel.
  • Um mapa-múndi, cinco alfinetes. Abram um jogo gratuito de adivinhar o lugar pela vista da rua, compartilhem a tela e alternem os palpites. O alfinete mais perto marca ponto. Cinco rodadas; quem perder planeja o encontro da semana seguinte.
  • Que barulho é esse? Cada um separa dez barulhos da própria casa: o liquidificador, o molho de chaves, a tampa do pote de sorvete, a descarga. Câmera virada para a parede, um barulho de cada vez, e o outro tem dez segundos para adivinhar. Um ponto por acerto, e quem fizer mais pontos escolhe o próximo encontro.

Quando finalmente estiverem na mesma cidade, o baralho de ideias de date e o de encontro barato dão conta da visita. Outras listas estão em nossos artigos.

Perguntas frequentes

O que fazer num encontro virtual para não ficar chato?

Dar uma tarefa para a chamada. Desenhar, comer, caminhar, assistir ao jogo, abrir uma caixa que chegou pelo correio. Quando as mãos estão ocupadas, a conversa aparece sozinha. Combinem a hora de começar e a hora de acabar, como num encontro de verdade, e o vídeo deixa de ser só um papo.

Quais são ideias de encontro virtual que não custam nada?

Retrato às cegas em folha de caderno, caminhada na orla com o fone no ouvido, sessão de foco a dois, Stop ou batalha naval no papel, mímica pela câmera, despertador gravado com a sua voz. Todas cabem num celular, num pacote de dados e numa noite livre.

Quais ideias funcionam com fuso horário muito diferente?

As que não exigem os dois acordados na mesma hora: vídeo-carta para o amanhecer do outro, áudio com os sons do seu bairro, a mesma lua fotografada em horas diferentes, caixa com envelopes numerados. Para o encontro ao vivo, juntem o café da manhã de um com o jantar do outro.

Como começar um encontro virtual sem ficar estranho?

Comece pela tarefa, não pelo "e aí, tudo bem?". Deixe tudo pronto antes de ligar: papel e caneta, a pizza a caminho, o filme parado no primeiro segundo. Diga o plano numa frase, conte até três e comecem. Com algo para fazer, o silêncio fica natural.

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