No trânsito, quando a playlist acaba
A janela entrega metade do assunto. Comece por ali, não por uma lista. Se vocês ainda estão se conhecendo, as perguntas para conhecer alguém servem melhor para essa fase.
- Tudo parado, e o mapa avisa “mais 40 minutos”. Se desse para pular o trânsito de helicóptero, para onde você mandaria o piloto em vez de ir para casa?
- No sinal, um vendedor oferece carregador, água e bala de gengibre. Qual foi a compra mais aleatória que você já fez no sinal?
- O rádio pega um programa de recados: “Alô, Fabiana, volta pra mim”. Que recado você me mandaria ao vivo numa rádio dessas?
- Vocês param num posto na estrada, pão de queijo na estufa. Nota de zero a dez para o pão de queijo daqui, e qual posto tem o melhor?
- Começa um temporal e a rua na frente vira rio. Você já ficou ilhada por causa de chuva? Como conseguiu sair?
- Um caminhão de mudança segue na frente de vocês há dez minutos. Se a gente se mudasse amanhã, qual objeto da casa ia primeiro para a caixa?
- Vocês passam pela saída para a cidade da avó dela. O que tem na casa da sua avó no interior que não existe em nenhum outro lugar?
- O motorista do Uber puxa papo sobre a gasolina. Você é de conversar com motorista ou de fingir que está no celular?
- Descendo a serra para a praia. Qual era a praia da sua família, e onde vocês paravam para comer no caminho?
- Um carro de som passa anunciando pamonha. Se você tivesse um carro de som por um dia, o que anunciaria no bairro?
Se ela responder “sei lá”, não emende outra pergunta. Dê a sua resposta e deixe o carro em silêncio um pouco.
Sam: Parado no trânsito, perguntei para a Anna: “E aí, sobre o que você quer conversar?”. Silêncio até a ponte. Aí passou um carro de som anunciando pamonha, ela imitou a voz direitinho, e passamos o resto do trânsito inventando anúncios.
No restaurante, quando ninguém fala nada
A mesa dá assunto de graça: cardápio, garçom, mesa do lado, sobremesa. Aproveite antes que alguém pegue o celular.
- Rodízio de pizza, e o garçom passa com a de chocolate com morango no meio das salgadas. Pizza doce no meio das salgadas: crime ou estratégia?
- O cardápio do boteco tem vinte páginas. Que petisco você pede em qualquer boteco sem nem abrir o cardápio?
- Na mesa do lado, o grupo discute quem paga a conta. Na sua família, quem sempre “esquece” a carteira no almoço de domingo?
- Vocês combinam o almoço na casa da sogra. No almoço de domingo da sua mãe tem macarronada ou churrasco, e quem acaba lavando a louça?
- Ela comenta que o chefe novo começou esta semana. Ele já é do tipo que chama todo mundo de “time” nas reuniões?
- Chega o pudim. Pudim com furinho ou sem furinho: qual é o certo, e quem na sua família faz o melhor?
- Vocês pediram delivery e o motoboy liga perdido. Qual foi o pedido mais estranho que você já fez de madrugada?
- Sábado, feijoada no bar da esquina. Você é da costelinha, da linguiça ou só do arroz com farofa?
- Um rapaz toca violão no canto do restaurante. Se ele aceitasse um pedido agora, que música você pediria?
- O garçom pergunta se vai mais uma rodada. Caipirinha de limão, de maracujá ou caipiroska, e qual foi a pior que você já tomou?
Se ela estiver cansada, falar da comida já é conversa. Uma frase sobre o pudim já vale como conversa.
No WhatsApp, quando a conversa morre
Quando o chat está só no “kkk” e no “aham”, “tudo bem?” não resolve. Mande algo pequeno, que dê para responder numa mensagem só.
- A tia mandou no grupo da família mais uma corrente de “repasse para dez pessoas”. Mande para ela: “A sua tia também manda essas? Vamos comparar”.
- O grupo do condomínio está brigando de novo pela vaga da garagem. Mande o print: “Preciso do seu voto. Quem tem razão: o 302 ou o síndico?”
- Três horas atrás ela mandou uma figurinha e a conversa parou ali. Responda com uma figurinha que ela nunca viu: “Achei essa pra nós dois”.
- Ela está no trabalho perto do meio-dia. “Manda um áudio de dez segundos contando o que vai ter no almoço. Eu mando o meu primeiro.”
- A encomenda dela chegou na sua casa por engano. “Chegou sua caixinha da Shopee aqui. Abro ou espero você?”
- O gato do vizinho subiu no telhado de novo. Mande a foto: “Ele desce sozinho ou eu chamo os bombeiros?”
- Ela comentou que o RH ia soltar a escala do feriado. “Saiu a escala? Vai ter emenda?”
- Ela postou um pôr do sol no status. Responda o status: “Onde é isso, e cadê o meu convite?”
- Você está na feira. “Pastel de carne ou de queijo para você? Caldo de cana vai junto?”
Figurinha também é resposta. Não junte três perguntas numa mensagem só: uma foto e uma linha bastam. Tem mais listas nos nossos artigos.
Anna: Nosso WhatsApp estava há dias no “kkk” e no “aham”. Aí o Sam mandou foto do pastel da feira com a legenda “nota?”. Dei 6, porque estava sem vinagrete. Ele voltou na barraca, pediu vinagrete e mandou foto de novo. Ganhou 9.
No sofá, quando o trabalho levou todas as palavras
Tem noite em que ninguém tem energia. Estas pedem quase nenhum esforço, e resposta de uma palavra conta.
- Ela cai no sofá e diz “hoje não”. Resume o dia num emoji só. Eu falo o meu primeiro.
- A novela das nove está passando. Aposta: quem morre nessa novela até sexta?
- O celular toca no meio do capítulo: é a mãe dela. O que sua mãe queria? Era sobre o almoço de domingo?
- O ventilador está no máximo. Você é time ventilador na cara a noite inteira ou time lençol na cabeça?
- Nove da noite e ela ainda está com o notebook aberto. Que planilha é essa que não pode esperar até amanhã?
- O cachorro está dormindo atravessado entre vocês. Se ele falasse, que fofoca da casa contaria primeiro?
- Ela voltou da academia arrastando a mochila. Como foi o treino? O personal ainda manda agachar até chorar?
- O chuveiro elétrico deu um estalo hoje de manhã. Ele está no inverno ou no verão, e quem vai trocar a resistência?
- Ela está assistindo vídeo de receita. Essa a gente faz no domingo ou fica só nos salvos?
Numa noite cansada, “tô bem” e um dar de ombros são respostas completas. Se conversar ainda parecer trabalho, troque por um jogo: as perguntas para casal responder funcionam com palpite, não com energia.
Depois de uma briga, quando já passou, mas nem tanto
Estas não servem para reabrir a briga; o que ficou por dizer pode esperar um dia mais calmo. Aqui o objetivo é voltar a uma noite comum.
- A briga acabou faz uma hora e a casa está quieta demais. “Vou passar um café. Quer coado ou o solúvel que a gente finge que não tem?”
- O vizinho começa a furar a parede num domingo. “Esse vizinho está construindo o quê, um estádio?”
- O pessoal está chamando para o churrasco de sábado na casa do Rafa. “A gente vai ou inventa um aniversário de tia?”
- Vocês dois no sofá, cada um no seu celular. “Coloco o episódio de onde paramos ou hoje é dia de filme besta da Sessão da Tarde?”
- Acabou o sabão em pó. “Bora no mercado? Eu nunca lembro de qual você gosta.”
- O ônibus de hoje rendeu uma história. “Posso te contar o que aconteceu no ônibus? Não tem nada a ver com a gente.”
- Tem jogo do Brasil daqui a pouco. “Assiste comigo, nem que seja só para xingar o técnico?”
- O aniversário da sobrinha dela é no sábado. “Me ajuda a escolher o presente? Boneca ou kit de slime?”
- Leite condensado na despensa. “Vou fazer brigadeiro de panela. Você quer uma colher ou a panela inteira?”
Se uma briga chegar a deixar você ou ela com medo, ligue 190 (ou 180, Central de Atendimento à Mulher). Se aparecerem pensamentos de se machucar, ligue 188 (CVV). Fora do Brasil, procure o serviço de emergência local.
Sam: Depois de uma briga feia, soltei: “Precisamos conversar sobre a gente”. A Anna foi para o banho por meia hora. Quando saiu, eu estava mexendo um brigadeiro de panela. Ela pegou uma colher sem dizer nada. Sobre a gente, conversamos no dia seguinte, com calma.
Tarde da noite, com a luz apagada
Luz apagada, voz baixa, ninguém dormindo ainda. Hora de pergunta pequena e quente, não pesada.
- Um funk toca baixinho em algum apartamento do prédio. Que música da sua adolescência ainda toca na sua cabeça quando você tenta dormir?
- Ela ri sozinha de alguma lembrança. Qual era o apelido que a sua família te dava, e quem inventou?
- Faz frio e vocês puxam o edredom. Onde você passava as férias de julho quando era pequena?
- Começa a chover no telhado. Esse barulho te dá sono ou te lembra alguma casa específica?
- Vocês lembram do último fim de ano. Qual foi o melhor Réveillon da sua vida: praia de branco, casa da vó ou dormindo antes da meia-noite?
- O celular dela acende com propaganda de loteria. Se a gente ganhasse na Mega da Virada, qual seria a primeira coisa que você contaria para a sua mãe?
- Ela cantarola uma música baixinho. Com que música te faziam dormir quando você era criança, e quem cantava?
- Ela ainda está rindo de alguma coisa do dia. Qual foi a última vez que você chorou de rir, e com quem?
- O aniversário dela foi mês passado. Que pedido você fez na hora de apagar as velinhas? Se não pode contar, dá uma pista.
- Vocês falam de férias no escuro. Que lugar do Brasil você quer conhecer comigo antes de qualquer outro país?
Se ela dormir no meio da frase, considere um elogio. E se a noite ficar séria sozinha, as perguntas para conhecer o namorado também funcionam com os papéis trocados.
Anna: Com a luz apagada, o Sam perguntou que pedido eu fiz no meu aniversário. Falei que não podia contar, senão não realiza. Ele passou dez minutos tentando adivinhar. Errou tudo, mas eu dormi rindo.
Andando sem rumo
Lado a lado, ninguém precisa sustentar o olhar enquanto pensa. Deixe a rua escolher o assunto.
- Um cachorro caramelo resolve seguir vocês desde a padaria. Se ele vier para casa com a gente, que nome ele ganha?
- No calçadão, passa o vendedor de mate e biscoito Globo. Esse é o melhor lanche de praia ou você é time milho cozido?
- Num muro tem um lambe-lambe escrito “Volta, Juliana”. Você acha que a Juliana voltou?
- Vocês entram num brechó de rua. O que daqui você levaria para casa sem ter a menor ideia de onde colocar?
- Num quintal tem uma piscina de plástico cheia de crianças. Como eram os verões da sua infância: piscina de plástico, mangueira ou clube?
- A banca de jornal está vendendo figurinha da Copa. Você já completou algum álbum, ou qual figurinha nunca saiu?
- Passa um carrinho de picolé. Qual picolé da sua infância sumiu do mercado e faz falta?
- Vocês passam por um prédio antigo chamado “Edifício Esperança”. Que nome você daria para um prédio nosso?
- Na praça, uns senhores jogam dominó. Que jogo você jogava com os seus avós: dominó, buraco ou truco?
- Na areia, uma roda joga altinha (aquela de não deixar a bola cair). Você joga ou é de ficar de fora dando palpite?
Se ela estiver quieta, aponte alguma coisa e diga o que está vendo. Ela pode puxar o fio ou não; tudo bem do mesmo jeito.
Quando ninguém estiver a fim de inventar assunto, puxem uma carta aleatória de um baralho de 25 e os dois respondem. E tem um baralho de cartas para jogar com a namorada, que abre num celular só.